Olá pessoas! Tenho notado que vocês andam sumidos... Será que os capítulos estão muito grandes para o blog? Preciso que opinem para que eu possa adaptar as postagens ao gosto de vocês, ok?
Bom, lá vamos nós para o quarto capítulo! Abaixo, os links para que baixar a 4ª carta de Natália para a Fênix e para os capítulos anteriores.
Quarta carta aqui: http://www.4shared.com/office/wruu4hZ7ce/4_Carta_de_Natlia_para_a_Fnix.html
Boa leitura!
QUARTA
LIÇÃO – O Que Não Conhecemos Nos Assusta...
Andrew chegara cedo ao hospital.
Tinha sido difícil convencer os pais e irmãos da moça a deixá-lo vir mais uma
vez. Só permitiam uma visita por dia e ele pretendia se certificar de que a
morte não viera durante a noite para acompanhar os últimos dias de Natália.
Esperava em um banco de madeira pintado de branco, observando ao redor as macas
que entravam e saíam do CTI todo o tempo. Algumas levavam cadáveres, outras
tinham a morte na cabeceira. Médicos e enfermeiros as arrastavam pelos
corredores, fazendo barulho por causa das rodas metálicas mal engraxadas. Ele
já não se assustava com a figura. Depois de tantos anos de terapia, estava
convencido de que se mantivesse uma fita vermelha amarrada ao pulso, estaria
protegido e a manteria longe dele. Por precaução, amarrou um lenço, pois os
lenços eram bem maiores que as fitas e enquanto dobrados, poderiam facilmente
esconder aquele que era o seu verdadeiro amuleto: uma cicatriz sobre o punho
esquerdo que fora o único presente que o pai lhe deixara. O corte e a marca dos
três pontos eram vistos por baixo do lenço.
A
surra era uma das pouquíssimas lembranças que tinha do pai. Fora em um dia
quente de verão. Andrew assistia à televisão na sala de estar enquanto o pai
bebia cerveja na cozinha, como era de costume. A mãe tinha acabado de sair para
o turno de trabalho da tarde, quando Andrew ouviu uma voz sussurrar-lhe nos
ouvidos que quem deveria estar trabalhando era o pai e mãe deveria estar em
casa, cuidando do filho. Gelado e imóvel, Andrew pôs-se chorar. O pai,
indignado com o choro e pelo fato de o garoto não explicar por que começara a
chorar de repente, agarrara-lhe o pulso com toda a força, erguendo Andrew do
sofá arrastando-o até o quintal. Não podia contar ao pai mais uma de suas
esquisitices, temia magoá-lo e só Deus sabia o quanto ele se esforçava para ser
um bom filho. Antes que ele pudesse juntar coragem para começar a contar, o pai
apanhou uma ripa da porta, há muito tempo quebrada, e com ela bateu em Andrew.
Instintivamente, o menino levou as mãos ao rosto na tentativa de se defender, o
que causou o corte no pulso. Desta vez quem o salvou de uma fratura maior foi
uma vizinha (a única vizinha que tinha telefone e era encarregada de anotar os
recados para quase todos os moradores da rua), que viera avisar que a mãe de
Andrew havia sofrido um desmaio no trabalho e pedira a seu pai que fosse
buscá-la.
Andrew
não lamentava a surra. Ele aprendera com ela. Aprendera que não devia deixar
transparecer quando ouvia as vozes. Aprendera que o castigo quando aplicado no
corpo, não poderia ferir a sua alma se ele a fechasse em um canto escuro. Foi o
que ele fez naquele dia e nos outros dias de punições que se seguiram desde
então. Apanhara mais algumas surras em casa, apanhara outras na escola, mas
nunca se deixou atingir na alma. E ele sabia como fazer isso. Resguardava-se
dentro de si e em certas ocasiões, quando a violência era extrema ou cruel, ele
sentia mesmo que deixava o corpo. Podia flutuar sobre seu corpo, esvaindo toda
a dor, livrando-se do enjoativo cheiro do sangue que vertia das lesões. Ele
sabia que era para o seu bem que apanhava. As vozes lhe contavam que tinha um
espírito ignorante e que ainda não estava completamente formado, diziam que era
como uma criança que ainda não tinha nascido. As provações fariam com que se
desenvolvesse, aprendesse e ajudariam a torná-lo forte. Ele compreendia.
As
visitas começaram. Ele foi o primeiro a entrar no leito aparelhado e ficou
muito feliz ao ver Natália ainda dormindo, mas sem nenhum daqueles tubos
enfiados no corpo. Permaneceu em pé ao lado da cama, gradeada para evitar uma
possível queda. Ela abriu os olhos devagar e sorriu timidamente para Andrew.
Este retribuiu-lhe o sorriso, mas quando foi perguntar se estava se sentindo
melhor, ela o surpreendeu.
—
Olá, Andrew! — cumprimentou ela, com uma voz animada, como se tivesse acabado
de despertar de um sono cheio de lindos sonhos — Eu sabia que você viria!
—
Sim, eu estou aqui. Mas foi difícil convencer seus pais para...
—
Eu já sei, — interrompeu ela, cheia de vitalidade. Uma vitalidade que Andrew
não recordava ter visto antes em Natália. — eles é que queriam vir, mas eu
tinha certeza de que você os convenceria. Eu preciso mesmo conversar com você,
Andrew. Quero que me diga se você está vendo a morte ao meu lado agora...
—
Eu... acho que não é uma boa hora para conversarmos sobre isso... — Andrew
sentira uma flecha atravessar-lhe o peito. Não estava acostumado àquele tipo de
pergunta e, embora soubesse que as pessoas que o rodeavam tinham muita
curiosidade, ninguém jamais se atrevera a perguntar-lhe diretamente. Talvez não
acreditassem no dom que ele carregava consigo. Ele não as culpava. Ainda não
estavam prontas para crer. Ele mesmo não fazia questão de contar o que ouvia,
via e sentia, a quem não interessava receber suas mensagens. Natália era uma
destas pessoas que não acreditava. Nunca o desrespeitara, pelo contrário, até
acompanhava Andrew às sessões de terapia frequentemente e incentivava-o a
procurar ajuda espiritual. Aquela pergunta foi a primeira prova de que ela
passara a acreditar no seu dom. Ele apenas desviou os olhos dos dela, mirando
ao longe e sentindo a dor angustiando-lhe o peito. Era mais confortável a ele
saber que era considerado desequilibrado e até mesmo louco.
Por
incrível que pudesse parecer, ele próprio tinha medo de perder o controle sobre
o dom que lhe fora concebido. Quando contava com a desconfiança de todos, podia
dizer a si mesmo que eles tinham razão e que tudo não passava de mera
imaginação de sua cabeça. Mas quando aparecia alguém que acreditava, geralmente
pessoas que haviam perdido entes queridos recentemente, Andrew tentava fugir e
mantinha-se o mais distante que podia de tais pessoas. Ele não poderia atender
aos seus pedidos. Não aliviaria suas almas e nem corresponderia aos anseios.
Mas certas vezes quando fechava os olhos, ouvia as vozes pedindo que dissesse
aos vivos que seus desencarnados estavam bem. Ele temia dar o recado, mas não
conseguia se livrar das vozes enquanto não lhes fazia a vontade. Então ele
escrevia. Escrevia as mensagens e encontrava uma forma de entregá-las sem ser visto.
Ele superava essas situações em pouco tempo, porque depois de entregues as
mensagens, as pessoas e as vozes o deixavam em paz.
Mas
Natália era diferente. Ela não iria embora e tampouco ele poderia seguir
adiante sem ela. Respirou fundo e, mesmo temeroso, respondeu:
—
Não. — respirou e acrescentou — Ela não está aqui com você.
Natália
não sabia se acreditava em Andrew ou não. Era claro que se ele visse mesmo a
morte acompanhando-a, não lhe diria. Ou diria? Ela considerava que ele não era
uma pessoa normal, como todas as outras. E se tudo aquilo não passasse de
invenção de sua mente perturbada? Para ela o fato de Andrew ter afirmado que a
morte não a acompanhava não mudava nada. Ela era uma condenada. E morreria
ainda jovem, hoje, amanhã... Natália percebeu a inquietação no rosto de Andrew.
Já o vira assim antes e sempre que isso sucedia, ele sofria graves crises,
chegando algumas vezes a necessitar de calmantes ou até mesmo de sedativos e
internações. Arrependeu-se imediatamente da pergunta que fizera. Já que não
acreditava nas visões de Andrew, não deveria mexer com isso. Mas o mal já
estava feito e por mais que ela tentasse consertar, não tiraria o tormento que
infligira àquela pobre alma doente.
—
Desculpe-me, nem sei por que perguntei isso. De qualquer forma você não me
diria a verdade.
—
Eu disse a verdade! — quase gritou — Eu nunca menti pra você! Ela não está aqui
agora, ela não virá buscá-la porque não é a sua hora!
—
Desculpe-me... — repetiu ela em um sussurro. Mesmo as lágrimas que brotaram
timidamente nos cantos de seus olhos não puderam apagar tamanha vivacidade de
seu rosto, que Andrew não se cansava de contemplar mesmo sem poder explicar. De
fato, ele dissera a verdade. A morte ainda não viria buscá-la. Ou estaria se
disfarçando para que ele não a visse? Ela não perderia seu tempo com isso. Ele
tinha a impressão de que era ela, a morte, que não o via. Passava por ele,
estendia-se ao seu lado, mas parecia não perceber sua presença. Certas vezes,
demorava a levar alguém embora. Havia pessoas muito agarradas as suas vidas,
muito presas a este mundo e eram estas as que davam mais trabalho à senhora
morte. Nessas ocasiões, o processo podia levar dias. O moribundo agarrava-se ao
corpo e a morte esperava pacientemente ao lado de Andrew. Já vira acidentes em
que pessoas muito jovens perderam a vida e esses eram os casos mais graves. Os
jovens eram ainda muito apegados aos corpos e não queriam deixá-los de maneira
alguma. A morte é paciente e sabe esperar a hora certa, quando os aparelhos são
finalmente desligados e os laços que os prendem aqui neste mundo são cortados,
aí é o momento dela.
—
Você não irá morrer tão cedo, pode ficar tranquila. — reforçou ele, agora se
contendo para não magoá-la — Mas precisa descansar. Não será bom se tiver que
passar o resto de seus dias sofrendo. Cuide-se. Resguarde sua saúde para usá-la
pelo tempo que ainda lhe resta.
Ela
se cuidaria. Precisava estar preparada para as aventuras que enfrentaria logo
que deixasse o hospital. A ideia não fora esquecida no dia seguinte, nem no
próximo, nem no outro, como era de se esperar, mas ao contrário, estava cada
vez mais fixa no pensamento de Natália. Dava-lhe forças, evitava a depressão e
fazia nascer uma energia que ela não sabia de onde vinha, mas que nunca sentira
antes. Era como uma paixão de adolescente pela qual se vivia e morria, pela
qual tudo se tornava possível. Essa energia lhe transformara em uma super mulher, capaz de realizar todos os sonhos, os
desejos, fazia-a entender o que era viver e mostrava-lhe que nunca tinha sido feliz
como gostaria. E como agora, ela seria.
Andrew
preferiu voltar para casa andando. Estava frio, mas ele queria sentir o frio no
rosto mais uma vez. E queria estar sozinho por alguns momentos, o que o
ajudaria a pensar. Pensar em Natália, no que ele vira em sua face. Não era
comum ver felicidade no rosto dos doentes, isso ele sabia por experiência, pois
costumava passar a maior parte do tempo visitando doentes. De onde brotara
aquele olhar vivo, atento, aquela paixão de viver? Por que agora, quando a doença
aparecera e era realmente grave? Ela sabia que, mesmo sobrevivendo, precisaria
de tratamentos intensivos e constantes, e poderia carregar sequelas para o
resto de sua vida. E isso lhe causara
felicidade? Algo acontecera, Andrew sentia, mas não podia identificar ainda.
Estava acostumado a desvendar os mistérios da alma das pessoas, as sensações
negativas, a acalmar os pesadelos com suas palavras. Entendia perfeitamente os
sentimentos negativos. Podia isolá-los, ajudar as pessoas a conviver com eles, e
a relevá-los. Mas a felicidade o incomodava! A paixão incomodava-o! Ele jamais
alimentara qualquer coisa parecida! Fora infeliz por toda a vida e sabia que
todo mundo também era assim. Encarar a felicidade fora assustador. Como o
desconhecido sempre é: assustador.
Raquel Pagno
www.raquelpagno.com











Olá Raquel, olha não estou acompanhando, desde o inicio, mas lendo aqui, vejo que preciso urgentemente ler os outros para poder entender o que esta acontecendo. Porem, mesmo não tendo lido eu gostei bastante, uma historia que envolve a morte, o sobrenatural. Isso me motiva muito a ler, até porque, quem me conhece sabe o quanto eu gosto disso.
ResponderExcluirVou abaixar os primeiros e depois volto para falar sobre.
Beijokas Ana Zuky
http://www.sanguecomamor.com.br
Obrigada por ler Ana, fico feliz que tenha conseguido atiçar sua curiosidade. :D
ExcluirAguardo sua opinião e não perca os próximos capítulos, todas as sextas.
Beijos!
Como eu já disse antes, esse dom do Andrew deve ser mesmo muito difícil de lidar. Ainda bem que ele não viu a morte do lado da Natália, seria absurdo ter que suportar isso. Que triste ter tido a infância que ele teve, e que triste ele se assustar tanto com a felicidade...
ResponderExcluirBeijo!
Ju
Entre Palcos e Livros
Sim, uma barra o dom de Andrew...
ExcluirMas a amizade de Natália é fundamental para que ele suporte o fardo.
Obrigada pela visita! Beijos!
Oiee =)
ResponderExcluirNossa, que intenso!
Senti aqui a dor da surra, o desconforto pelo o que o dom causa, gente ver a morte, nossa estou com medo só de pensar.
Espero que venhas coisas boa para o Andrew pela frente.
Beliscões da Máh ♥
Blog
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Muitas revelações ainda estão por vir. Não perca os próximos capítulos.
ExcluirGrata pela visita! :)
Tadinho do Andrew! Primeiro ele tinha um pai horrível e segundo esse dom não é nada fácil! Gosto muito desse lado sobrenatural, ouvir vozes e essa relação com a morte! Bem intenso mesmo!
ResponderExcluirGostei muito desse capitulo! Curiosa quanto ao próximo!
Beijos Raquel! s2
Andrew não teve uma vida boa, mas aprendeu a lidar com isso. A amizade de Natália foi fundamental pra ele.
ExcluirNão deixe de acompanhar os próximos capítulos! Beijos!
Olá, quando você começou aqui acompanhei o primeiro
ResponderExcluircapitulo e depois acabei não conferindo os outros, mas espero
arrumar um tempinho e voltar aqui e ver os outros.
Mesmo assim estou adorando conhecer mais sobre tudo que
você escreveu
bjs
http://www.loveebookss.com.br/
Obrigada Solange, fico muito feliz que esteja gostando. :D
ExcluirAguardo sua visita nas próximas sextas. E não deixe de comentar, sua opinião é muito importante.
Beijos!
Oii,
ResponderExcluirEu ainda não li os anteriores, mas vou ler assim que sobrar um tempinho, mesmo porque gosto muito de histórias sobrenaturais e fiquei super curiosa. Assim que eu ler todos volto p comentar.
Bjs
Aline Lima
http://alinenerd.blogspot.com.br/
Conto com sua opinião! :D
ExcluirObrigada pela visita. Beijos!
Raquel, vou primeiro atrás dos demais textos para poder chegar a este, ok?
ResponderExcluirBeijo
Ok, aguardo uma nova visita sua!
ExcluirSua opinião é muito importante! Beijos!
Olá Raquel,
ResponderExcluirNão acompanhei os outros capitulos e fiquei um pouco perdida. Mas eu adorei e vou ler os outros e continuar acompanhando.
Beijinhos!
Olá
ResponderExcluirComo faz muito tempo e só agora eu vi que não havia comentado neste link, não me lembro muito bem do que eu tinha lido, aliás acredito que eu só tenha lido o primeiro capítulo então o texto me bugou e eu não entendi muito bem todas as coisas certinhas. Mas, como achei interessante e lembro até de ter curtido aquele primeiro capítulo e tudo mais, pretendo começar de novo e depois voltar aqui.
Abraço!
www.umomt.com