Pessoal, segue o 12º capítulo! Espero que gostem!
Boa leitura!
Quarto capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/02/reflexoes_14.html
Quinto capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/02/reflexoes_21.html
Sexto capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/02/ola-pessoas-segue-o-sexto-capitulo-de.html
Sétimo capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/03/reflexoes.html
Oitavo capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/03/reflexoes_14.html
Décimo capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/03/reflexoes_28.html
Décimo 0rimeiro
capítulo: http://asleiturasdamila.blogspot.com.br/2014/04/reflexoes.html
DÉCIMA
SEGUNDA LIÇÃO – Sonhos São Possíveis...
Foi
Andrew quem teve a brilhante ideia. Pesquisariam a vida inteira do piloto em
jornais, revistas e internet. Quando reunissem bastante informações, estudariam
e decorariam fatos importantes da carreira do aviador, não seria difícil
conseguirem credenciais falsas, carteirinhas de imprensa e então fingiriam
serem dois renomados repórteres da pequena cidade onde moravam, doidos por
algumas palavras dele. Ele os atenderia, sempre tratava bem aos repórteres, às
pessoas da imprensa que o recepcionavam nos aeroportos de todo o mundo. Não
seria diferente com eles, ou seria? Mesmo sem ter certeza, Natália estava animada,
animada de verdade, pela primeira vez. Já organizara, inclusive, um formulário
com as perguntas que deveria fazer sobre a sua carreira, sobre a sua vida, e
algumas que ela pessoalmente gostaria de fazer, disfarçadas entre as outras.
Partiram
para mais um canto do país. A viagem desta vez não fora tão agradável quanto a
anterior. Não havia voos agendados para a presente data, então tiveram que
seguir de ônibus em uma viagem que durou mais de treze horas. Chegaram
exaustos. Natália não conseguiu dormir durante o trajeto, teve medo de sofrer
um acidente na estrada e a cada vez que fechava os olhos era precocemente
despertada pelas buzinas dos outros automóveis ou pelos solavancos dos trechos
imperfeitos de asfalto e estrada de chão. Andrew também não conseguiu relaxar,
mexia-se na poltrona constantemente, tentando encontrar uma posição confortável
que lhe permitisse ao menos uma soneca, mas as costas doíam e, não bastasse o
ruído do motor a perturbar, ainda tinha de aturar as pessoas que não paravam de
conversar e outros ainda, que dormiam tão profundamente que seus roncos eram
capazes de acordar todos no ônibus inteiro.
Andrew
procurou um hotel próximo à rodoviária e alugou um quarto com duas camas de
solteiro e, apesar dos protestos de Natália, não partiriam direto ao aeroporto,
precisava descansar, ou então não conseguiria assumir o personagem que criara
para ele. Aconselhou-a a fazer o mesmo, pois não poderia encontrar-se com o
homem dos seus sonhos cheia de olheiras, como se fosse uma bruxa. Ela não teve
alternativa, senão ceder. Dormiram por longas horas. Natália não sonhara com o
homem, ou com a explosão desta vez, sonhara com um lindo campo florido,
parecido com o que vira durante as sessões de hipnose, correra solta por aquele
imenso campo verde até encontrar uma linda árvore, cheia de folhas que
produziam uma agradável sombra debaixo de si. Ela sentou-se àquela sombra,
sobre as imensas raízes que brotavam desprotegidas de dentro da terra,
escondendo-se do sol que, ela sentia na pele, estava muito quente. O
despertador a acordara. Andrew o deixara ligado por precaução porque não queria
desperdiçar as longas horas de sacrifício que passara naquela viagem
atrasando-se para o pouso do piloto, pois seria a melhor oportunidade de
aproximação que teriam.
Ela
vestira-se depressa. Agora não trajava mais o lindo vestido preto, mas sim um
elegante terninho de crepe, guardado bem no fundo do armário para ocasiões
especiais. A blusa branca que se mostrava discretamente por debaixo do casaco
contrastava com o cachecol de lã vermelho. Pregara na gola o crachá de imprensa
que Andrew habilmente providenciara para os dois. Ele, não menos alinhado,
vestia uma calça social preta, feita de lã fina que além de aquecer, deixava-o
alguns quilos mais magro, combinando com a camisa branca de mangas longas e
casaco de couro preto. Estavam ambos
muito elegantes e pareciam mesmo pessoas importantes. Andrew estava nervoso e
preocupado, não com o piloto, a quem Natália se encarregaria de entreter, mas
com o pessoal da administração. Será que ligariam para verificar suas
credenciais? Se o fizessem, eles estariam ferrados!
Pegaram
um táxi em frente ao hotel. Teriam tempo de sobra para convencer a organização
do evento sobre suas identidades, e ainda conseguir um bom lugar para apreciar
a habilidosa descida do piloto. Andrew pagara pela corrida, com as mãos
trêmulas, não estava acostumado a mentir e a inventar estórias, esperava ser
convincente, por Natália, porque aquela era a missão de sua vida. Dirigiram-se
imediatamente ao comitê organizador do evento. Andrew tomou a iniciativa, foi
logo apresentando as credenciais de imprensa para um homem rabugento que fazia
a segurança logo na entrada. Não foram barrados e isso já era um grande alívio,
porém antes de ter livre acesso à área da imprensa, era preciso que
conversassem com a diretoria geral do evento (e aquilo tinha uma vasta
hierarquia, iriam demorar até chegar à diretoria geral!) que se encarregaria de
checar os dados e permitir, ou não, o acesso dos dois. Duas horas depois e
estavam frente a frente com o presidente do aeroclube (enfim, o diretor
geral!), que depois de alguns telefonemas, que nada tinha a ver com checagem de
dados ou verificação de credenciais, pediu a um dos seus diversos secretários
que os acompanhasse ao camarote especialmente reservado aos repórteres.
O
coração de Natália acalmou-se. Andrew conseguira, ela estava orgulhosa do
amigo, pois ela mesma não poderia ter tido ideia melhor. Olhou para Andrew com
o canto dos olhos e sorriu, discretamente para não chamar atenção, mas a
vontade que teve foi de pular ao pescoço dele, abraçá-lo e enchê-lo de beijos
de agradecimento; se o plano desse mesmo certo, seria graças a ele e à sua
ideia maluca! Sentaram-se confortavelmente, desfrutando uma garrafa de água
mineral gelada, especialmente servida para ambos. Natália segurou a mão de
Andrew, ele entendeu o nervosismo da amiga, sentiu sua ansiedade mais uma vez,
só que agora seu sexto sentido dizia que essa sensação estava para se alterar
profundamente. As vibrações que de seu corpo emanavam agora deixavam
transparecer também uma esperança, uma nova forma de esperança que não se
baseava apenas em sonhos, mas em fatos concretos, em acontecimentos reais e que
poderiam realmente se tornar reais a partir da possibilidade que ele inventara
para ela. Vibrava também naquela mão, a gratidão que ele sabia que viria mais
tarde em forma de palavras, mas que ele nem precisava escutá-las porque já
sabia o que ela lhe diria, já sentira a gratidão no calor da sua mão.
Um
ponto negro acabara de surgir no horizonte. Ficava maior e mais barulhento a
cada minuto, vinha depressa na direção da pista de pouso. Estranhamente desta
vez, não fizera nenhuma gracinha antes de alinhar-se para a descida. Pousou com
a suavidade de sempre, porém quando o capacete foi retirado, revelando o rosto
do amigável piloto, o que se viu não foi exatamente o sorriso de sempre, mas um
olhar gélido e preocupado, que Natália não conseguiu interpretar. Antes que
pudesse dizer algo, os outros repórteres já se levantavam para sair correndo em
busca de informações, mas ele sequer trocou com eles as palavras de costume,
caminhou rapidamente para o seu “hangar particular”, deixando entrar apenas o
pessoal da diretoria. Nem ao menos deixou-se tocar ou fotografar pela legião de
garotas que se esticavam atrás das barreiras que protegiam sua passagem.
Natália
o seguiu incansavelmente até a porta do hangar, mas foi impedida de seguir
adiante. Esperou minutos, que pareceram séculos, sentada no estreito degrau que
ladeava o hangar. Encostou-se nas paredes, tentando ouvir o que se passava lá
dentro, perguntou para cada segurança que saia do local, mas nenhum deles tinha
autorização de passar qualquer informação à imprensa. Por um momento, Natália
odiou a credencial presa à gola do casaco, mas logo esqueceu o ódio, porque
ela, que agora era da imprensa, estava infinitamente mais perto do tal homem do
que as dezenas de meninas com seus vestidos cor-de-rosa espremidas na beira da
corda. Enfim, o diretor geral saiu ordenando que reunissem os da imprensa
porque o piloto diria algumas palavras. Natália, que não voltara para o
camarote, como os demais, aproveitou para ficar bem à frente da porta do
hangar, onde ele pudesse vê-la inteiramente. Todos se acomodaram e ele começou
a desculpar-se.
—
Bem, — começou o diretor geral — sinto ter de informá-los de que o espetáculo
programado para esta tarde está cancelado! Infelizmente não há nada que
possamos fazer porque houve um pequeno problema com o motor da aeronave, mas
retomaremos a apresentação em uma próxima data, que garantimos, será uma festa
mais emocionante do que este aniversário do nosso município! No entanto, não
podemos colocar em risco a segurança de todos insistindo em seguir com o show
programado, seria irresponsabilidade da nossa parte, porque hoje é dia de
festa, de comemoração e não de desastre, não é mesmo? Peço-lhes que permaneçam
no aeroporto e desfrutem da estrutura que montamos especialmente para vocês!
Pedimos desculpas, juntamente com este homem, que permanecerá aqui,
participando desta festa que é de todos vocês! Passo a palavra a este corajoso
piloto, que não mede esforços para levar alegria aonde quer que vá!
—
Eu gostaria primeiramente de reforçar o pedido de desculpas, já mencionado pelo
diretor em meu nome, e assegurar a todos vocês que voltarei o mais breve
possível, assim que o problema for solucionado, e manterei meu compromisso de
alegrá-los com minhas manobras. Espero que entendam que seria muito perigoso
voar com a aeronave em condições nas quais se encontra, não usarei termos
técnicos para explicar o problema, visto que há muitos leigos aqui presentes e
porque não nos interessa saber que parte exatamente pifou... — ele riu e as
tietes da primeira fila também, Natália apenas levou uma das mãos sobre o
coração, percebendo que o olhar do homem agora se voltava para ela — Mas como
eu ficarei por aqui, terei tempo de sobra para receber algumas pessoas no
hangar. Aviso-os também de que o sorteio que contemplará alguns felizardos a um
passeio de helicóptero continua valendo, porque a festa ainda não acabou, e os
premiados podem escolher entre o passeio pelos céus, a entrada aqui no hangar
ou ainda poderão escolher um brinde de sua preferência entre as diversas
lembrancinhas ofertadas pelo aeroclube. Aos nossos amigos repórteres — ele olhou
para Natália mais uma vez — que quiserem saber mais detalhes, basta
cadastrarem-se junto à organização do evento. Eu receberei a cada um, cedo ou
tarde, peço-lhes apenas que tenham paciência, pois preciso também consertar meu
avião. No mais, gostaria de agradecer a presença de todos, aos que moram aqui
perto e também aos que percorreram muitos quilômetros para assistir a este
espetáculo. Sei que muitos, inclusive, vieram das redondezas, das cidades
menores as quais nem sempre tenho o privilégio de visitar, mas asseguro-lhes
novamente que terão sua recompensa, e prometo que criarei uma acrobacia nova,
exclusivamente para vocês. Tenham uma boa festa!
Natália
estava pasma! O avião quebrara e ele estava ali, vivo e radiante. Embora
preocupado, estava alegre e inteiro! E ele a vira, agora ela tinha certeza! O
que lhe restava era bolar mais uma pequena estratégia e agendar com a diretoria
uma entrevista exclusiva. Correu para o guichê de entrada, procurando com os
olhos o diretor geral, precisava ir direto a Deus se queria um milagre, ou mais
uma vez teria de enfrentar a ira de todos os santos, até que alguém resolvesse
se livrar dela, expulsando-a ou coisa parecida. Viu o vulto ao longe, mas ele
parecia estar caminhando rumo à saída. Tentou correr, mas quase foi esmagada
pelas pessoas que se amontoavam para comprar a rifa do passeio de helicóptero
que agora, poderia ser revertida em alguns minutos na companhia do famoso
piloto. Muitas mães, cujos filhos sonhavam ser piloto, compravam cartelas
inteiras tentando satisfazer a vontade dos pequenos. Natália entendia que
aquilo poderia servir de inspiração e incentivo para todos aqueles garotos, mas
tinha de passar e empurrava-as uma por uma para o final da fila. Andrew já se
perdera dela há tempo. Não era um homem magro e pequeno e não pôde passar pelos
primeiros amontoados de gente. Simplesmente entrou na fila, quem sabe estivesse
com sorte e fosse premiado? Isso certamente resolveria os seus problemas. Olhou
para o lado e viu Natália voltando desanimada para o seu lado. Pela expressão do seu rosto, percebeu que não
tinha conseguido o que queria.
—
E então, falou com ele? — Andrew foi logo perguntando.
—
Falei, sim. Mas ele disse que as exclusivas serão concedidas apenas aos
representantes da imprensa local. Ou seja: estamos fora!
—
Ainda não estamos, não! — disse Andrew, sorrindo e balançando o único bilhete
da rifa que comprara.
—
Valeu a tentativa, mas com esse bilhetinho você pretende entrar no hangar do
piloto? Você viu aquelas mulheres com as bolsas recheadas de cartelas inteiras?
Elas, sim, serão premiadas!
—
Ah! Mas não temos dinheiro para rechear a sua bolsa de cartelas inteiras! Além
do mais, qualquer bilhete poderá ser sorteado, não é verdade? O importante é
que eu estou concorrendo!
—
Você é um sonhador, Andrew.
—
Sou sim, o que tem de errado nisso? Os sonhos são a nossa única razão de viver,
você mesma não estaria aqui se não fosse pelo seu sonho, lembra-se? Que graça
teria viver sabendo exatamente o que iria acontecer, usando a razão somente, se
é a emoção dos sonhos que nos move?
—
É bem diferente o meu caso, Andrew. Você não pode comparar uma ligação de
muitas encarnações com um bilhete de rifa...
—
E por que não? Sonhos são sonhos. Por que um dos meus seria menos importante do
que um dos seus? Está sendo egoísta.
—
Desculpe-me, não foi o que pretendi. Apenas acho que as chances de ser sorteado
são muito baixas, eu diria que são quase insignificantes.
—
O meu bilhete tem a mesma chance de ser sorteado que qualquer outro vendido
daquela rifa, nem mais e nem menos. Pode ser que ganhe, pode ser que perca,
quem saberá? Eu acredito nos sonhos, se não acreditasse, dificilmente estaria
aqui com você agora. Eu encararia você simplesmente como uma louca, uma doida
de pedra, jamais teria feito parte dessa loucura. Veja, isso não é mesmo uma
loucura? É sim. Uma maravilhosa loucura, um sonho realizando-se aos poucos, no
seu devido tempo. E é lindo isso! É uma maneira maravilhosa de levar a vida,
assim, vivendo sonhos. Se eu tivesse suspeitado que seria tão bom, teria corrido
atrás de muitos outros sonhos, que foram morrendo com o passar do tempo, que
perderam a cor, perderam o sentido e deixaram de existir.
—
O sonho de encontrar o seu pai, por exemplo?
— Andrew não gostou da referencia de Natália. Ele estava mesmo pensando
nesse sonho, na vontade quase morta de encontrar o seu pai, mais uma vez, ao
menos para lhe dizer que sentia muito por tudo... Mas não estava preparado
ainda para ouvir sobre ele e nem para falar dele. A pergunta tão direta o
constrangeu e ele não soube como respondê-la. Como sempre fazia quando, na
verdade, não sabia o que fazer, ele fugiu. Saiu de perto de Natália, correu em
direção a uma das barracas que vendia souvenires e fingiu estar interessado no
funcionamento de um pequeno avião movido a corda.
Natália
o machucara. Viu que dissera uma grande besteira. Ora, por que precisava
machucá-lo dessa forma? Ela não quis colocar o dedo na ferida de Andrew por
todos estes anos, mas sentia que ele precisava se abrir com alguém. Ele se
fechou ainda mais desde que o pai partira. Embora tenha se sentido aliviado com
o fim dos castigos, das surras e das intermináveis discussões, ele sentia falta
de uma figura masculina para ter em quem se espelhar. Era amigo do pai e dos
irmãos de Natália, mas estes não substituíam o homem que deveria ter estado ao
seu lado na maior parte de suas vidas, que deveria tê-lo acompanhado nos
momentos importantes, assistido às reuniões da escola, brincado de soltar pipa,
ensinado a pescar e a caçar, ir ao estádio para ver o time favorito jogar,
entre tantos outros momentos que Andrew gostaria de lembrar, mas que não
passavam de páginas em branco na sua história. Depois de todo esse tempo, ele
ainda se recusava a falar desses assuntos, porque ainda carregava sobre os
ombros a culpa de o pai ter ido embora, culpa porque a mãe teve de assumir
sozinha, além da educação do filho, as despesas da casa; culpa pela morte de
seus avós, porque adoeciam com mais frequência enquanto se esforçavam para
suprir as necessidades especiais de Andrew, as terapias e os tratamentos que a
mãe não conseguia pagar apenas com o salário de costureira.
Ele
aprendeu a conviver com a culpa. Aprendeu que as escolhas de cada um deles é
que determinou seus destinos, mas como ele era um “garoto esquisito, um louco”,
como o pai sempre dizia, acabou por influenciar a todos os que amava, os que o
amavam e queriam apenas ajudá-lo. Isso afetou o rumo das coisas. Teria sido tão
diferente se o pai não tivesse sido covarde, se tivesse encontrado outra saída
senão fugir de Andrew e de seus problemas. Mas agora era tarde e de nada
adiantaria ficar remoendo as angústias do passado. O que fora feito antes já
não tinha mais volta. O que poderia ser feito agora era a única coisa que
importava, porque embora ele não tenha conseguido ainda encontrar respostas que
justificassem a atitude daquele homem, se não fosse por ele ter feito o que
fez, Andrew talvez não tivesse se tornado a pessoa livre que era hoje, e quem
sabe ele o tivesse mandado para um hospício, para o resto de seus dias. Decidiu
que quando o encontrasse, se o encontrasse de novo, não iria dar bronca,
conforme planejara todos esses anos, iria agradecer a ele por tê-lo deixado sob
os cuidados da mãe e dos avós, dessa forma ele foi amado e recebeu todo o apoio
que uma família pobre como a dele, pode dar.
Natália
caminhou até ele. Não disse nada, só encostou a cabeça no ombro do amigo. Ele
entendeu o pedido de desculpas mais uma vez, e beijou-lhe a face. Agora vê se pensa antes de falar!, dizia
ela para si mesma. Andrew segurou o pequeno avião em frente a ela e começou a
explicar o funcionamento do pequeno brinquedo. Era uma réplica quase perfeita
do avião de manobras que faria o show, diferenciava-se apenas por não haver o
nome do piloto pintado no lado de fora. Os alto-falantes chamaram a atenção de
Andrew de repente. Chamavam os portadores dos bilhetes de rifa para que se
aproximassem do local do sorteio, que começaria em alguns instantes. Ele
segurou a mão de Natália, ansioso, e caminhou para a beira da corda que
separava o público do pequeno palanque montado especialmente para o globo do
sorteio. Passados uns cinco minutos, uma linda moça loira, vestida com roupas
brilhantes e chamativas, subiu ao tablado de madeira, seguida por um dos
organizadores do evento. O sorteio começaria. Andrew apertava a mão de Natália,
estava nervoso, por isso não gostava muito de jogos, eles sempre o deixavam
nervoso. A loira começou a girar o globo, enquanto o helicóptero descia para a
apreciação dos que sonhavam dar uma voltinha pelas alturas.
Caiu
a primeira bola. Ninguém acertou. A segunda, Andrew não marcara, mas muitas
outras pessoas sim. Desta forma, seguiu-se o segundo sorteio, o terceiro e os
outros nove. Andrew acertara no máximo três das cinco dezenas que de
precisaria. Estava tudo bem, ele estava acostumado a perder. Mas este era um
presente que queria muito poder ter dado a Natália, então não pôde deixar de
decepcionar-se com o resultado.
—
Então, vamos embora? — perguntou ela.
—
Mas... já? Ainda é cedo! Vamos ficar
mais um pouco! Você quer comer alguma coisa?
—
Está bem, vamos ficar. Que tal cachorro-quente?
—
Ótima ideia! Lancharam ao lado da pequena lanchonete móvel. O cachorro-quente
estava delicioso e Andrew acabara de repetir. O lugar ainda estava bem
movimentado e o imprevisto não espantara as pessoas que tinham vindo prestigiar
o evento. Andrew ouviu um novo chamado nos alto-falantes. Era a voz do
organizador responsável pelo sorteio, anunciando que quatro pessoas não
apareceram para requisitar os prêmios e conforme as regras, passada uma hora
sem aparecer o premiado, realizar-se-ia um novo sorteio. Era o que aconteceria
naquele momento e mais uma vez os portadores foram convocados a se dirigirem ao
tablado. Natália notou a animação voltar ao rosto do amigo, que largou o
sanduíche comido pela metade e correu para a beira da corda. Ela temeu mais uma
decepção.
A
primeira bola caiu. A segunda, seguida pela terceira. A quarta bola, e até
então Andrew não acertara nenhum número. Próximo sorteio, mais um e finalmente
o último. Natália o puxava para longe, mas inexplicavelmente, as bolas foram se
ajustando à cartela de Andrew. Acertara os primeiros quatro números, mas
faltando apenas a última dezena, a sorte lhe traíra e ele errou. Olhou para os
lados, ninguém apareceu. Mais uns minutos de espera e, como o helicóptero tinha
hora marcada para ir embora, mais uma bola foi sorteada. Inacreditavelmente,
era a dezena de Andrew! Natália não podia acreditar. Ele subiu ao tablado, para
conferir se realmente ouvira direito. Eram suas dezenas! Ele ganhara!
—
Viu, querida? Quem disse que sonhos são impossíveis? — brincou ele com Natália.
Raquel Pagno
www.raquelpagno.com











Olá. Esse capítulo ficou ótimo. Cada vez a história fica melhor. Aguardo ansiosa o próximo capítulo.
ResponderExcluirQue bom que gostou Monica! Adorei receber sua visita!
ExcluirNão perca os próximos capítulos! Beijos!
Adorei o conto!
ResponderExcluirE ameeeei esse quote "(...) Que graça teria viver sabendo exatamente o que iria acontecer, usando a razão somente, se é a emoção dos sonhos que nos move?" *-*
Temos mesmo que sonhar e correr atrás dos nossos sonhos. Viver uma vida racional, fazendo somente as nossas obrigações, não é aproveitar a vida plenamente =)
Oi Pamela!
ExcluirFico feliz que tenha gostado!
É um livro inteirinho que será postado aqui pra vcs, então, fique ligada, todas as sextas-feiras tem um capítulo inteiro!
Beijos!
Muito verdadeira a frase "A escolha de cada um deles é que determinou seus destinos." Uma sábia frase.
ResponderExcluirBjs, Rose
Obrigada Rose. :D
ExcluirNão perca os próximos capítulos! Beijos!
Comecei a ler, mas fiquei com medo de spoilers, pois ainda não li os outros capítulos, haha.
ResponderExcluirMas pelo pouco que li já deu pra perceber que a sua escrita é bacana. Não posso falar muito da estória em si, pois nem sei ao certo do que se trata.
Assim que possível, lerei.
Olá Rita,
ExcluirQue bom que achou a escrita bacana. :D
Quando ler os outros capítulos, não se esqueça de deixar sua opinião nos comentários pra gente, ok?
Beijocas!
Como não li outros capítulos não entendi nada ainda, você tem uma boa escrita. Agora estou sem tempo para ler. Espero que consiga fazer sucesso no seu livro e boa sorte ^^
ResponderExcluirObrigada Alessandra. Quando puder, leia os capítulos anteriores e deixe sua opinião aqui pra gente, ok?
ExcluirObrigada pela visita! Beijos!