Pessoal, segue o mini capítulo do segundo conto de Asher.
Boa leitura! ;)
Capítulo 2
Na
primeira tentativa, meu faro me levou ao norte da Assíria, atrás de um odor
quase tão tentador quando o do sangue de Kenora. Quanto mais pro norte eu
rumava, mais meu apetite era aguçado pelo cheiro e mais animalesco eu me
tornava, apenas um predador em busca de uma caça. Por mais sangue humano que eu
tenha bebido pelo caminho, nada era capaz de me saciar enquanto meus sentidos
eram tomados por aquele desejo que eu conhecia tão bem e do qual me privara por
tanto tempo.
Efrat
me seguia à distância. Não concordava com a minha intenção, temia por minha
vida, mas como todo bom amigo, não se atrevia a deixar-me só. Ele farejava a
minha ira tão bem quanto eu farejava o sangue dos bruxos. No terceiro dia, veio
a mim e tivemos nossa primeira conversa, Efrat ainda tentando em vão me
convencer a esquecer minha vingança. Não, eu não poderia.
—
É suicídio, Asher.
—
Pode ser que você esteja certo. Mas é preciso. Eu jurei. — e havia jurado a
Kenora em seu leito de morte que eu a vingaria.
—
Você jurou para alguém que não está mais aqui para cobrar. Não precisa carregar
esse fardo pela eternidade. Temos o mesmo objetivo, no fim das contas. Mas só o
alcançaremos quando tivermos um exército, forte o bastante pra lidar com os
Quatro Primeiros.
—
Nunca teremos um exército, Efrat. É uma ilusão pensar que nós, depois de tudo o
que aconteceu, de todos os vampiros que matamos, ainda teríamos alguma chance
de conseguir aliados. Uma bela ilusão, mas totalmente irreal.
Efrat
apenas baixou os olhos e mirou o solo seco por alguns minutos, esfregando a
barba com uma das mãos.
—
Não posso impedi-lo de fazer o que julga conveniente, mas devo alertá-lo mais
uma vez que os instintos também podem conduzi-lo a ruína.
—
Eu confio nos meus instintos. E eu sei
que me conduzirão até onde eu quero. Não é um palpite.
Depois
daquele dia, Efrat afastou-se. Eu ainda podia sentir seu olhar sobre mim, ainda
via, vez ou outra, o imenso cão branco cortando as planícies e as ribanceiras.
Talvez fosse melhor assim, eu deveria assumir sozinho os riscos que minhas
escolhas acarretavam. Esperava pela ajuda de Efrat, mas respeitaria sua
escolha, ele preferia abster-se. Quem saberia o que era certo e o que era
errado?
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