Boa leitura!
CAPÍTULO
27
Quando Miguel viu o
detetive parado no início do corredor, com uma arma carregada na mão direita,
ficou paralisado. Seu sangue congelou dentro das veias e um arrepio surdo
percorreu todo o seu velho corpo. Será que a polícia já havia descoberto seu
grande segredo? Geralmente as pessoas não tinham acesso a esse tipo de dados de
dentro da Igreja. Apenas as principais figuras do clero poderiam tê-lo
descoberto. Soltou o pé de Ricardo. Carlo fez o mesmo, libertando as ataduras
dos pulsos de Jéssica.
O policial, atônito,
sem ter a menor ideia de como agir perante a situação que presenciara, deixara
cair ao chão o cigarro apagado que carregava sempre no canto da boca. Jéssica correu
para junto do detetive, abrigando-se atrás do seu corpo alto. Ricardo voltou
para o quarto de Victor para pegar as batinas e a bíblia, que já estavam
separadas sobre a cama.
— O que vai fazer,
policial? Não está pensando em matar um velho padre como eu, não é? Você teme o
fogo do inferno? — disse Miguel, desconcentrando-o. O detetive não respondeu.
Continuava olhando para as duas figuras de batina. Os bordados em volta do
pescoço de Miguel pareciam muito mais vivos agora. Eram mais amedrontadores do
que se ele vestisse uma armadura de combate. Na gola, vários crucifixos em
vermelho sangue. Ao redor da abertura frontal que descia até os pés do homem,
as cenas bíblicas da crucificação e da ressurreição de Cristo que encaravam
furtivamente quem ousasse olhar para elas. O fato é que ele realmente temia o
fogo do inferno. Morria de medo só de pensar que passaria o resto da eternidade
ardendo dentro de um caldeirão. Nunca usara sua arma antes. Não fora necessário
e ele pretendia fazer o possível para nunca ter de usá-la. O que seria mais
forte: o seu medo ou a sua fidelidade ao juramento que fizera, prometendo
proteger os inocentes de mentes diabólicas como a do padre Miguel? Ele
realmente desejava não ter que responder a essa pergunta. Para sua surpresa, Miguel
levantou os braços, bem devagar dizendo:
— Eu estou desarmado, está vendo?
Apenas a vontade de Deus é operada através das minhas mãos. Esses dois estão
roubando as coisas de Victor de dentro da casa do Senhor. Olhe você mesmo. —
ele apontou para Ricardo que segurava junto ao peito os pertences de Victor.
Quando o detetive desviou os olhos para ver o que Ricardo segurava, em uma
fração de segundo, Miguel e Carlo deram um passo para trás, entrando na sala
vermelha. Só ouviram o som da grande porta sendo fechada a ferros pelo lado de
dentro. O policial correu para a entrada e bateu na porta com os punhos, mas
Miguel e o jovem não responderam.
—
Eles não têm para onde ir — disse Ricardo. — A sala não tem outra saída,
nenhuma porta ou janela que os possa levar até o lado de fora da casa
paroquial. É melhor chamar reforço.
— Certo, mas antes me
diga: o que vocês vieram fazer aqui?
— O hospital... Victor...
Pediram para que buscássemos algumas roupas e uma bíblia para ele — balbuciou
Jéssica em resposta.
— E por que não pediram
autorização para o padre Miguel, antes de entrarem?
— Ele não estava aqui.
Pedimos autorização ao rapaz que estava atendendo na recepção. Ele nos
acompanhou até o quarto e depois foi correndo chamar o padre. Ele nos acusou de
estar roubando da casa paroquial! Acho que ficou maluco de vez! — disse ela,
irritada.
— Vamos para a
delegacia. Vamos ter de esclarecer esse assunto.
— Mas vai deixá-los aí?
E se escaparem? — perguntou Ricardo.
— De que vocês
pretendem acusá-los? De tentar defender a própria casa? Não podemos fazer isso.
Se quiserem, podem registrar um Boletim de Ocorrência, o que não vai adiantar
de nada. E além do mais, eles não chegaram a machucar vocês dois, apenas
pensaram que eram ladrões. Com certeza iam chamar a polícia para prendê-los.
Creio que vocês estejam encrencados — disse o policial, virando-se em direção à
saída. Os dois o seguiram.
Raquel Pagno
www.raquelpagno.com











Raquel!
ResponderExcluirViajando na Revelação.
Que forma boa de podermos conhecer as boas leituras.
Bem intrigada com a trama.
Bom Domingo!
“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Carlos Drummond de Andrade)
Cheirinhos
Rudy
Raquel, estou acompanhando a história recentemente e por isso ainda não pude conferir esse capítulo porque não quero estragar a surpresa de cada parte da história, mas só adiantando que estou apaixonada pela história. Você tem talento, não desista nunca.
ResponderExcluirBeijos
Oi Raquel, conforme falei em meu comentário no capítulo anterior, eu ainda preciso ler do início para poder comentar coerentemente o seu trabalho.
ResponderExcluirPor isso evitei ler este capítulo, quero ler na ordem.
Bjus
Lia Christo
www.docesletras.com.br