Antes tarde do que nunca... Segue o primeiro capítulo de Asher II - O Messias!
Boa leitura! :D
Capítulo 1
Anos se passaram depois da morte de minha amada Kenora,
no deserto da Suméria, quando Adramelech, um dos Quatro Primeiros demônios que
enganaram Lúcifer e fugiram do inferno transmutando-se nas bestas que
conhecemos por vampiros, quase tirou também a minha vida.
Recordo-me daquele dia como se os séculos que me separam
dele não tivessem passado. O suave perfume da pele de Kenora ainda habita as
minhas lembranças, vez ou outra. Eu sei que a ferida jamais cicatrizará. Eu
sobrevivi, mas por muitas e muitas vezes, desejei ter morrido naquele exato
momento em que o brilho da vida esvaiu-se do olhar de Kenora.
Só
me restaram a sede vingança e a amizade de Efrat. Eu jurei perante o corpo sem
vida de minha amada que caçaria Adramelech para onde quer que ele fugisse. Não
que eu pensasse que ele fugiria de mim, uma das suas crias que deveria por
obrigação, ser seu servo e lhe devia a mesma devoção de um fiel a um deus, mas
por que sabia que nenhum dos Quatro Primeiros mantinha-se no mesmo lugar por
muito tempo, sempre percorrendo o mundo em busca de bruxos, cujo sangue servia
para manter sua juventude eterna perante os séculos de imortalidade.
Depois
da morte de Kenora, recusei-me a voltar pra casa. Ágade jamais tornaria a ser o
meu lar. Lar é o lugar onde estamos com quem amamos e eu já não tinha mais
ninguém. Nunca mais teria, era a minha sina: a solidão.
Comecei
a seguir o rastro da besta, assim que me recuperei. Não era fácil, mas a cada
cidade a que chegava, sempre escoltado por Efrat, ouvia histórias de massacres
causados por ataques vampirescos. Era difícil encontrar alguém que soubesse da
existência dos bruxos, no entanto, o que dificultava relacionar tais ataques a
Adramelech ou outro dos primeiros.
Eu
precisava aprender a reconhecer sinais que me levassem ao meu alvo. Mas como? A
única maneira de encontrar qualquer dos Quatro Primeiros seria encontrando
bruxos. E bruxos não tinham nada de extraordinário a não ser o cheiro do sangue,
infinitamente mais tentador do que dos humanos comuns.
Convenci-me
de que precisaria me tornar um farejador, como um cão. Efrat advertiu-me de que
meu método falharia, pois vampiros podiam sentir o sangue dos bruxos em um raio
de quilômetros de distância, o que nos poderia levar na direção errada e nos
fazer perder ainda mais tempo. Isso não me importava. Eu tinha todo o tempo do
mundo.
Comecei
a treinar meu faro, percorrendo os vales da Babilônia. As guerras decorrentes
das disputas territoriais eram constantes, o povo ainda mais miserável e isso
não era um espetáculo agradável, mesmo para um monstro como eu.
Tentei
não me envolver nos conflitos dos humanos, apesar de ser comum ver vampiros
engajados nos exércitos ou tomando partido por algum dos lados, como se aquela
fosse sua pátria. Como se não soubessem que nós, os amaldiçoados, não temos uma
pátria.
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